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Minority Report e as Universidades

Nos dias atuais vemos dentro das universidades algo que antes só era visto em filmes sobre um futuro distante e em algumas revistas em quadrinhos: a “Justiça Preditiva”, o “Pré-Crime” ou se preferir, condenar um indivíduo somente pela suposição de que ele vá cometer algum ato discriminatório em algum momento futuro.

Dentro da maioria das universidades de nosso país temos essa “Justiça Preditiva”, onde o simples fato de algum aluno ou grupo de alunos não seguirem a forma de pensamento corrente é motivo mais do que suficiente, na visão da grande maioria, de serem considerados “potenciais” estupradores, homofóbicos, fascistas, machistas e racistas, sendo “acusados”, “julgados”, “sentenciados” e condenados sem o menor direito a defesa, destruindo suas reputações e sendo alvos de perseguições tanto de alunos como de professores.

Nesse sistema obscuro e labiríntico que se constitui essa “Justiça Preditiva”, o boato tem valor de prova, o fato de pertencer a determinado grupo é considerado quase como uma confissão e o simples fato de não se temer expor o que pensa é considerado uma prova inconteste do “crime”. Acusações são movidas pela simples discordância com a visão ideológico-política do indivíduo, em uma tentativa de “desumanizar” e destruir a pessoa que discorda do establishment reinante. O que mais impressiona nessa “Justiça Preditiva” não é em si o “Tribunal Popular”, mas sim, o fato que, em muitas circunstancias, o indivíduo é acusado e condenado de cometer algum ato discriminatório ou violento em um evento QUE AINDA NÃO OCORREU!!! Ou seja, a pessoa já é condenada sem ao menos ter cometido nenhum dos atos que lhe foram imputados!

Tal sistema remete muito ao visto no filme Minority Report – A nova lei, filme de 2002, estrelado por Tom Cruise, que se passa em um futuro distante, no ano de 2054, onde a polícia e o sistema judiciário prende indivíduos baseado na visão de 3 paranormais que preveem quando alguém será morto, por quem e onde. O sistema é considerado “infalível” até que o policial chefe dessa divisão, no filme chamada de “Pré-Crime”, é acusado de que irá matar um homem que ele nunca viu na vida dentro de 36 horas. Nesse momento ele começa a sua luta para tentar entender os motivos de tal acusação e descobre várias fraudes e falhas no sistema que ele trabalhava. Como todo filme hollywoodiano, ele vence o sistema e consegue provar sua inocência e a de vários outros que foram acusados, mas voltando ao mundo real, não é o que ocorre dentro das universidades, especialmente as públicas. Usualmente os que sofrem essas acusações são jogados em um tribunal de opinião pública que, invariavelmente, promove o “assassinato” da reputação dos acusados, mesmo quando as “provas” apontam no sentido contrário.

Muitas universidades em nosso país criaram plataformas para que alunos pudessem denunciar casos de violência ou discriminação que, porventura, ocorressem nas dependências da mesma. O que deveria ser uma ferramenta para inibir e até erradicar tais situações nos campus universitários, se transformou em um método de intimidação e de destruição de reputação e carreiras dentro das universidades. Essas denúncias levam, usualmente a uma sindicância ou processo interno, na qual os acusadores apresentam suas provas comprobatórias das acusações e os acusados as suas provas de inocência. O problema surge que, como na maioria dos casos, as provas são testemunhais, é fácil que uma pessoa ou um grupo coopte outras pessoas de igual pensamento para criarem uma narrativa que leva a uma acusação contra quem ousa divergir das ideias reinantes. Em vários casos, mesmo quando a situação denunciada é flagrantemente falsa e absurda, as comissões que lidam com esses casos preferem encerra-los como se houvesse falta de provas, com medo do ataque social que pode vir desses grupos, que poderiam alegar que a universidade está protegendo “criminosos” e “opressores”.

Esse é o clima que reina dentro de muitas universidades. Um clima de perseguição e ataques pessoais, baseados na simples intolerância em conviver com alunos que pensem o contrário do establishment. Alunos e grupos que possuem a hegemonia na universidade se sentem tão invulneráveis que cometem, sem nenhum remorso ou medo, calunias, injurias e difamações, na certeza de que não serão pegos, e se porventura o forem, as punições serão brandas, e ainda há a chance de reverterem a situação, alegando que foram “perseguidos e criminalizados pela universidade” e por “grupos de ódio”.

 

O fato que não podemos esquecer é que as universidades, desde sua criação no século XII, deveriam ser locais de livre pensamento e expressões de ideias, e não locais onde se está criando futuros ditadores, onde há uma perseguição contra os que pensam diferente o establishment, onde se cria uma ditadura que leva alunos a desistirem de seus cursos pela perseguição sofrida e onde os alunos tem medo de expressarem o que pensam, por causa da perseguição que, quase certamente, sofrerão.